Renegociação e quitação de dívidas
Renegociação e quitação de dívidas
Se você já está endividado ou no vermelho, é hora de traçar um plano para sair do buraco. Lembre-se: não existe solução milagrosa instantânea, mas com organização e perseverança é possível sair das dívidas, mesmo que demore meses ou anos. O passo a passo abaixo compila dicas comuns de Nath Finanças, Gustavo Cerbasi e outros especialistas:
- Liste todas as suas dívidas em detalhes: Faça uma relação de cada dívida (empréstimos, cartão de crédito, carnês, parcelas atrasadas, cheque especial, nome sujo etc.). Anote o credor, o valor total devido, a parcela mensal (se houver) e a taxa de juros de cada uma. Esse diagnóstico mostra o tamanho do problema e permite priorizar.
- Priorize as dívidas mais caras (juros altos): Cerbasi reforça que é essencial eliminar primeiro as dívidas com juros maiores, como cartão de crédito rotativo e cheque especial, pois eles “podem comprometer grande parte da renda” com encargos. Então, ordene suas dívidas do maior juro para o menor. Foque em pagar o máximo possível nas de juros altos (pagamentos extras, liquidação antecipada) enquanto mantém pelo menos o mínimo nas demais.
- Negocie condições melhores: Renegocie suas dívidas com os credores para reduzir juros e parcelas. Procure os credores e explique sua situação, buscando um acordo. Prefira contato por telefone ou canais digitais em vez de ir pessoalmente na agência, pois em pessoa o gerente pode pressionar você a aceitar uma proposta ruim para “sair logo” – ao telefone, você negocia com mais frieza e pode comparar opções. Aproveite feirões de renegociação e programas públicos (como o Desenrola Brasil, que em 2023 ofereceu descontos de até 90% em dívidas atrasadas). Nunca tenha vergonha de negociar: os credores preferem receber algo do que nada, então muitas vezes conseguirão descontos ou prazos maiores se você demonstrar intenção de pagar.
- Refinancie ou consolide se for vantajoso: Às vezes vale a pena pegar um empréstimo mais barato para quitar várias dívidas caras. Por exemplo, pegar um crédito pessoal (com juros menores) para pagar a fatura do cartão (juros altíssimos). Cuidado: só faça isso se tiver certeza de que a parcela do novo empréstimo cabe no seu orçamento e se você não voltará a usar o crédito caro novamente. Senão vira bola de neve. Avalie também portabilidade de dívida (transferir financiamento para outro banco com juros menores).
- Estabeleça um plano de pagamento realista: Veja quanto do seu orçamento mensal você pode destinar a quitar dívidas (após cobrir as despesas básicas). Cerbasi sugere usar parte da renda todo mês para abater débitos gradualmente. Direcione qualquer dinheiro extra (13º, bônus, vendas de itens usados, bicos) para isso também. Dependendo da situação, quitar tudo pode levar anos, então é importante ter paciência e persistência. Celebre as pequenas vitórias (cada dívida paga) e mantenha o foco.
- Não faça novas dívidas enquanto isso: Parece óbvio, mas é crucial. Guarde os cartões de crédito na gaveta (ou até cancele se não conseguir usar com controle) e evite compras parceladas. Adote vida simples temporariamente, sabendo que é por um período até limpar seu nome.
- Converse com a família: Se as dívidas afetam seu lar, chame a família para uma reunião honesta sobre a situação. Explique que será necessário economizar e peça colaboração de todos. Quando a família entende o “porquê”, fica mais fácil reduzir gastos juntos (como cortar canais de TV, lazer mais barato, etc.). Não carregue o peso sozinho – se todos contribuírem, a jornada fica mais leve. E como Thiago Godoy diz, “não falar sobre isso é o grande problema”. Portanto, abra o jogo com quem precisa saber.
Exemplo prático: Maria levantou que tem 3 dívidas – (1) R$5.000 no cartão de crédito (rotativo) com juros altíssimos, (2) R$2.000 de um empréstimo pessoal a 5% ao mês, e (3) 3 parcelas atrasadas do plano de saúde totalizando R$900. Ela negociou o cartão: o banco ofereceu parcelar os R$5.000 em 12x fixas sem juros abusivos (melhor que deixar rolando). O empréstimo pessoal ela mantém pagando, pois os juros não são tão altos. O plano de saúde ela botou em dia primeiro (pois é serviço essencial). Maria também vendeu móveis usados, conseguiu R$800 e quitou de vez duas parcelas do empréstimo pessoal, reduzindo a duração da dívida. Em 12 meses, estará livre de todas as dívidas se seguir o plano, com os sacrifícios temporários que fez.
Obs: Em casos graves de superendividamento, em que as contas básicas não fecham, vale buscar orientação em órgãos de defesa do consumidor ou projetos públicos de auxílio ao endividado (PROCON, etc.) – existe inclusive a Lei do Superendividamento que pode ajudar a renegociar oficialmente as dívidas com condições mais humanas. O importante é não ignorar a situação.
Mesmo enquanto paga dívidas, tente iniciar uma pequena reserva financeira, por menor que seja. Nath Finanças recomenda que, “enquanto a pessoa está pagando as dívidas, ela guarde o que puder – R$10, R$20, R$30”, pois se esperar “sobrar” dinheiro para guardar, nunca vai acontecer. Isso cria o hábito de poupar e já serve de colchão para emergências pequenas durante o processo (evitando tomar novo empréstimo). Ou seja, pague as dívidas, mas comece a se pagar também nem que seja com pouquinho.
Terminada a etapa de renegociação e com as dívidas sob controle (ou eliminadas), você estará “de volta ao zero”. A partir daí, o dinheiro que antes ia para credores poderá ser redirecionado para suas reservas e investimentos, construindo seu futuro financeiro.