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Usando Cursor Rules para Acelerar um Secure Code Review

·916 palavras·5 minutos·
Fernando Guisso
Autor
Fernando Guisso
Compartilhando e aprendendo, hack the planet!

Em revisões de código focadas em segurança, o maior desafio não é rodar ferramentas — mas sim entender o contexto do sistema.

Antes de procurar vulnerabilidades, precisamos responder perguntas como:

  • Quais endpoints existem?
  • Como é a arquitetura do banco de dados?
  • Que fluxos de autenticação/autorização estão implementados?
  • Quais dados são mais sensíveis?

Esse trabalho inicial costuma ser demorado, especialmente em times de AppSec que não têm conhecimento profundo de cada projeto.

Recentemente testei o Cursor como apoio, configurando Cursor Rules (prompts persistentes) e checklists dinâmicos para acelerar esse processo. A experiência foi aplicada no GrowthBook, um projeto open source em Node.js e TypeScript, mas também repliquei em sistemas internos. Aqui como ficou meus arquivos de configuração.

O que são Cursor Rules?
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As Cursor Rules são instruções permanentes aplicadas no editor Cursor. Elas funcionam como uma “camada de orientação” para a IA, que passa a priorizar determinados comportamentos.

Para um secure code review, isso significa que podemos:

  • Criar checklists de segurança adaptados ao stack do projeto.
  • Direcionar a IA para vulnerabilidades típicas da linguagem, framework ou protocolo em uso.
  • Automatizar descobertas iniciais: endpoints, diagramas de dados, fluxos de autenticação.

Como Estruturei a Revisão
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1. Checklist inicial
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O primeiro passo foi um checklist genérico de AppSec, cobrindo práticas clássicas (injeção, XSS, autenticação, autorização, exposição de dados sensíveis, etc).

Com acesso ao código, o Cursor conseguiu:

  • Mapear endpoints REST.
  • Reconstruir diagramas ER do banco em Mermaid.
  • Destacar tabelas com dados sensíveis (tokens, senhas, informações pessoais).
  • Sugerir fluxos de autenticação e autorização inferidos do código.

Isso já reduziu dias de entendimento para poucas horas.

2. Refinando para o stack do projeto
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Depois pedi ao Cursor para refinar o checklist para Node.js + TypeScript.
Com isso, passaram a aparecer itens como:

  • Validação de inputs em Express.
  • Uso de APIs perigosas como eval ou child_process.
  • Manipulação insegura de JWTs.
  • Falhas em bibliotecas de autenticação OAuth2/OpenID.

Esse refinamento é essencial: vulnerabilidades prioritárias variam conforme o stack.

3. Refinando pelo tipo de sistema
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Além da linguagem, o tipo de aplicação também muda o foco:

  • Sistema de Autenticação

    • Revisar fluxos de login/logout.
    • Verificar se existe MFA.
    • Conferir armazenamento de senhas (hash + salt).
    • Garantir uso correto de JWT (expiração, assinatura, algoritmo).
  • Projeto que implementa um Protocolo

    • Se for OAuth2/OpenID Connect, analisar riscos de token leakage e redirects inseguros.
    • Se for GraphQL, procurar excessive data exposure e BOLA/IDOR.
    • Se for gRPC, avaliar validação de schemas e autenticação mútua.
  • Aplicação com Banco de Dados Sensível

    • Garantir uso de queries parametrizadas (prevenindo SQLi).
    • Revisar controles de acesso em tabelas críticas.
    • Avaliar criptografia em repouso e em trânsito.
  • Serviços com Alta Integração Externa (APIs)

    • Checar validação de payloads recebidos de terceiros.
    • Revisar tratamento de erros para evitar leakage.
    • Analisar autenticação de chamadas internas (service-to-service).

Essa lógica pode ser traduzida em um Cursor Rule adaptado ao projeto.

4. Integração com Terminal e Ferramentas
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Outro ponto forte foi usar o terminal integrado do Cursor.

  • A IA gerava payloads de ataque direto no curl.
  • O output das ferramentas (Semgrep, Gitleaks, TruffleHog, etc.) era correlacionado com o código vulnerável.
  • O resultado era uma análise muito mais direta e contextualizada.

Mesmo com pipeline já rodando SAST, SCA e secret scanning, usar o Cursor localmente deu mais liberdade e insights adicionais.

5. Burp MCP: vale a pena?
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Testei o Burp MCP (Model Context Protocol) no Burp Community Edition mesmo, visto que o MCP deles é free, mas achei limitado demais, acabou mais me atrapalhando no fluxo do que ajudando. Caso queira dar uma olhada, Burp MCP . Acabei pedindo ao Cursor para explicar manualmente como reproduzir testes no Burp.

Benefícios Observados
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  • Entendimento rápido do projeto sem depender do time de dev.
  • Modelagem de ameaças embutida: já saí com diagramas e controles mapeados.
  • Menos gargalo com o time de desenvolvimento: só envolvemos quando já tínhamos findings refinados.
  • Análise mais focada: em vez de caçar linha a linha, fui direto aos pontos críticos.

Dicas Práticas
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  1. Monte um Cursor Rule por projeto. Não existe checklist universal — o contexto é tudo.

  2. Peça refinamento contínuo. À medida que encontra findings, vá pedindo para a IA recalibrar o checklist.

  3. Não confie cegamente. Use a IA para ganhar tempo, mas valide manualmente os resultados.

  4. Explore integrações. Combine terminal, ferramentas SAST/SCA e a IA para análises mais ricas.

Conclusão
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Adotar Cursor Rules e checklists adaptados mudou a forma como encaro um secure code review. Antes, parte significativa do tempo era gasto tentando entender a arquitetura do projeto, pedindo contexto ao time de desenvolvimento, configurando o ambiente local e descobrindo detalhes que raramente estavam bem documentados.

Com esse processo, consegui reduzir drasticamente o tempo de rampa: a IA ajudou a mapear endpoints, bancos de dados, fluxos de autenticação e potenciais pontos críticos logo no início. Isso significou que, quando envolvi o time de dev, já cheguei com findings e modelagens de ameaça bem estruturadas, o que transformou a conversa em algo muito mais produtivo.

Além de economizar esforço e evitar gargalos de comunicação, sobrou mais tempo para análises aprofundadas e para discutir soluções em conjunto. O resultado foi um processo mais ágil, colaborativo e com menos desgaste para todos.

No fim das contas, a IA não substitui o olhar crítico de quem faz a revisão, mas ajuda a eliminar o trabalho braçal inicial e a liberar espaço para o que realmente importa: segurança aplicada de forma inteligente e integrada com o time de desenvolvimento.

Referências
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